Pesquisadora da Universidade Metodista de São Paulo desenvolve escala científica para avaliar os riscos psicossociais e dar visibilidade aos impactos da discriminação na saúde mental.
A discriminação e a violência simbólica, ainda fazem parte da realidade de muitas pessoas LGBTQIAPN do Brasil. Dentro e fora de casa, nas escolas, nas igrejas e nos locais de trabalho, a luta pelo respeito continua sendo uma luta do cotidiano. Para avançar no entendimento desse sofrimento, a pesquisadora Andreia da Fonseca Araújo da Universidade Metodista de São Paulo, criou uma Escala de Avaliação de Riscos Psicossociais e Sofrimento Psíquico em Diversidade Sexual e de Gênero (ESOP) uma ferramenta inovadora para medir os efeitos emocionais da discriminação e trazer novos olhares acerca do cuidado em Saúde Mental.
A escala foi criada a partir de uma confirmação sobre o sofrimento psíquico dessa população que é considerada real. A pesquisa teve 493 participantes LGBTQIAPN+ de diferentes regiões do país. Utilizando uma metodologia que uni análises quantitativas e qualitativas. O objetivo foi identificar quais eram os fatores principais de risco psicossocial e buscar entender como o preconceito e a exclusão interfere na vida emocional dessas pessoas.
“ O sofrimento psíquico das pessoas LGBTQIAPN+ advém em grande escala das pressões sociais, culturais e psicológicas impostas por uma sociedade heterocisnormativa, que discrimina, estigmatiza e marginaliza as identidades de gênero e orientações sexuais que não estão de acordo aos seus padrões impostos,” afirma Andreia da Fonseca Araújo. Os resultados mostraram que o medo da violência familiar é uma das maiores causas de sofrimento emocional, especialmente entre jovens LGBTQIAPN+. O estudo também constatou elevados índices de depressão, ansiedade e estresse em indivíduos com expressão de gênero não-binário, além de maior medo de isolamento para aqueles ligados a religiões. Esses dados ajudam a entender como a LGBTFOBIA pode afetar a saúde mental e reforçar a necessidade de políticas públicas que promovam proteção e prevenção.
A pesquisadora ressalta que a imposição de normas binárias e essencialistas aprofunda o sofrimento psíquico dessa população, gerando estresse, depressão e marginalização identitária. Com base na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, especialmente nos conceitos de persona, sombra e individuação, Araújo estruturou a ESOP em oito fatores principais, que variam do medo da violência ao uso de medicamentos psiquiátricos. A ferramenta busca identificar diferentes graus de sofrimento e orientar acolhimentos mais sensíveis e efetivos na saúde mental. Mais do que um instrumento científico, a ESOP se consolida como um gesto de reconhecimento e empatia, transformando dores silenciadas em evidência científica e cuidado humano.
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