Montadoras buscam reposicionar a imagem do automóvel por meio de estratégias de comunicação alinhadas aos princípios ESG.
Tese analisa como o setor automotivo busca reposicionar sua imagem por meio da comunicação e da integração dos princípios ESG, fortalecendo vínculos éticos e transparentes com a sociedade.
Durante décadas, o automóvel foi símbolo de liberdade, status e progresso. Hoje, porém, ele também representa um dos grandes desafios ambientais e sociais do século XXI. É nesse contexto que a tese “Estratégias de comunicação para o desenvolvimento sustentável na publicização das marcas de automóveis”, defendida por André Senador, propõe uma reflexão sobre a transformação da imagem do carro e o papel das montadoras diante de uma sociedade que cobra práticas mais sustentáveis e transparentes.
A pesquisa investiga de que forma as empresas do setor automotivo têm utilizado estratégias de comunicação para integrar os pilares ESG (Environmental, Social and Governance) às suas marcas, buscando alinhar discurso e prática. Segundo o autor, a intenção é construir uma nova narrativa que una ética, inovação e responsabilidade ambiental.
“Este trabalho teve como objetivo identificar e analisar as estratégias de comunicação para o desenvolvimento sustentável adotadas pelas marcas automotivas e demonstrar como elas buscam reposicionar a sua imagem e a imagem do automóvel antes um ícone de glamour, status e liberdade que, por seu potencial poluidor e pela emissão de gases, passou a ser visto como um vilão da sustentabilidade e um problema para a mobilidade urbana”, destaca André Senador.
O estudo, de abordagem qualitativa e analítica, utiliza a análise de conteúdo como metodologia principal, examinando relatórios de sustentabilidade e materiais institucionais de grandes fabricantes do setor. A partir dessa base, Senador investiga como o discurso corporativo evoluiu de uma retórica ambiental muitas vezes apenas discursiva para uma integração mais consistente da sustentabilidade nas estratégias de negócio.
Para o pesquisador, a comunicação exerce um papel central nesse processo de reconstrução de imagem. É por meio dela que as empresas buscam transformar a relação com seus públicos e reposicionar o automóvel como símbolo de inovação e responsabilidade.
“A comunicação passa, assim, neste novo desenho social, a desempenhar papel estratégico na formulação dessa nova agenda corporativa das marcas automotivas, promovendo a transformação de suas estratégias e discursos em direção ao desenvolvimento sustentável”, afirma o autor.
Os resultados mostram que há uma mudança significativa na forma como as montadoras encaram a sustentabilidade. A adoção dos princípios ESG deixou de ser um diferencial e passou a ocupar o centro das estratégias empresariais. Termos como governança, transparência e ética corporativa passaram a definir um novo modo de relacionamento com a sociedade.
Nesse cenário, o estudo destaca que as marcas que adotam uma comunicação mais humanizada e empática conquistam maior legitimidade.
“Estarão em sintonia com esse novo cenário social as marcas que souberem desenvolver processos genuínos de empatia com as pessoas e promover a construção de relações mais humanizadas com seus stakeholders, especialmente a partir da adoção das dimensões ESG”, afirma Senador.
Ao final, a tese defende que a comunicação corporativa deve assumir um papel central na implementação de práticas sustentáveis. Mais do que campanhas ou discursos institucionais, é necessário traduzir os valores da sustentabilidade em ações concretas que fortaleçam a reputação das marcas e consolidem um relacionamento ético e transparente com o público.
Para Senador, o verdadeiro desafio das montadoras não é apenas fabricar carros menos poluentes, mas redefinir o significado do automóvel em um mundo que exige coerência entre discurso e prática.
Mais do que um estudo sobre o setor automotivo, a tese revela o poder da comunicação como agente de transformação social, capaz de unir propósito, inovação e sustentabilidade em uma mesma direção.
Texto: Natália Pires Pinto
Matéria produzida a partir da tese de André Senador.

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