Quando o hospital também vira sala de aula

Pedagoga ensinando criança em leito hospitalar representando o atendimento pedagógico hospitalar durante o tratamento de saúde.

Ilustração representa o trabalho de pedagogas hospitalares que garantem a continuidade da educação de crianças e adolescentes durante o tratamento de saúde.

Pesquisa revela como o trabalho de pedagogas hospitalares transforma a internação de crianças e adolescentes em uma experiência de aprendizagem e acolhimento.

Entre corredores silenciosos e rotinas de tratamento, há quem transforme o hospital em um espaço de descobertas. É o que mostra a pesquisa da mestra Paola Ribeiro da Silva, autora da dissertação “Atendimento pedagógico hospitalar ao estudante em tratamento de saúde: narrativas de experiências docentes”, defendida na Universidade Metodista de São Paulo.

O estudo revisita a realidade de pedagogas que atuam com crianças e adolescentes em tratamento de saúde e mostra que o ato de ensinar nesses ambientes vai muito além do conteúdo escolar. Nesse contexto, ensinar também significa oferecer cuidado, empatia e esperança.

A pesquisa, de caráter qualitativo e narrativo, mergulha nas histórias de duas profissionais com anos de atuação em classes hospitalares. Por meio de seus relatos, Paola demonstra como a presença do pedagogo no ambiente hospitalar ajuda a resgatar a rotina, a autoestima e o vínculo emocional de estudantes que precisaram se afastar da escola por causa da doença.

“As reflexões desenvolvidas ao longo desta pesquisa evidenciaram o atendimento pedagógico hospitalar como um direito educacional fundamental, assegurando a continuidade da escolarização de crianças e adolescentes em tratamento de saúde”, afirma a pesquisadora.

O trabalho também destaca o papel do professor maker, aquele que adapta metodologias e cria novas formas de ensinar mesmo diante dos desafios do ambiente hospitalar. As pedagogas que participaram da pesquisa relataram o uso de tablets, jogos, fantoches e contação de histórias para estimular o aprendizado e amenizar o isolamento dos pacientes.

“As narrativas das pedagogas hospitalares evidenciam que o professor maker, nesse contexto, desempenha um papel crucial, atuando como mediador entre os desafios clínicos e o direito à educação”, aponta Paola.

Além de garantir o acesso à aprendizagem, o atendimento pedagógico hospitalar fortalece a saúde emocional e social dos estudantes, ajudando-os a manter sua identidade estudantil e o vínculo com o aprendizado mesmo durante o tratamento.

A dissertação também chama atenção para a necessidade de políticas públicas e formação continuada voltadas aos profissionais que atuam nesse campo.

“Ressalta-se a importância da formulação e implementação de políticas públicas mais robustas, que não apenas regulamentem e ampliem a educação hospitalar, mas também promovam a capacitação contínua de pedagogos para atuarem nesse contexto de maneira qualificada e humanizada”, conclui a autora.

O estudo realizado por Paola Ribeiro da Silva demonstra que o hospital pode ser, de fato, um espaço de aprendizado. Entre consultas, medos e expectativas, a pedagogia hospitalar reafirma a força da educação em acolher, transformar e ajudar a reconstruir a vida mesmo nos momentos mais difíceis.

Texto: Natália Pires Pinto
Matéria produzida a partir da Dissertação de Paola Ribeiro da Silva.

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