Imagem criada por inteligência artificial representando a comunicação organizacional contemporânea baseada no diálogo, cultura e relações humanas.
Pesquisa revela a evolução da comunicação organizacional e destaca como o diálogo, a cultura e o olhar humano se tornaram centrais no ambiente corporativo.
Por muito tempo, comunicar dentro de uma empresa significava apenas transmitir ordens e garantir que todos recebessem a mesma mensagem. Era uma comunicação burocrática, rígida e muitas vezes distante das pessoas que faziam parte daquela realidade. Mas esse cenário mudou e mudou muito.
A dissertação “A comunicação nas organizações: percurso e prática interdisciplinar das abordagens clássicas aos enfoques contemporâneos”, de Patrícia de Nóbrega Pêcego Soares, mostra como a comunicação deixou de ocupar um lugar secundário para se tornar peça estratégica e, acima de tudo, humana no cotidiano das organizações.
Logo no começo do estudo, a autora deixa claro seu objetivo: “pesquisar o percurso teórico-metodológico e das práticas da comunicação organizacional (CO), desde a sua perspectiva mais clássica até a mais contemporânea”. Ela reconstrói esse caminho por meio de uma análise interdisciplinar que busca compreender não apenas o que as organizações comunicam, mas como constroem vínculos, relações e sentidos.
Ao examinar as bases da comunicação organizacional, Soares destaca que essa área passou décadas presa a um modelo instrumental, focado apenas em transmitir informações. Contudo, ela observa que essa visão se tornou insuficiente frente às transformações do mundo contemporâneo. A autora afirma: “o estudo focaliza a dimensão humana da CO, pouco explorada nos estudos”, reforçando que entender pessoas é essencial para entender organizações.
A pesquisa utiliza uma abordagem qualitativa e se apoia em casos reais de três empresas centenárias, analisando como cada uma desenvolve sua comunicação, quais dificuldades enfrentam e quais caminhos têm construído. Sobre sua metodologia, a autora explica: “A escolha desta metodologia está associada à natureza da pesquisa que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real” deixando claro que a comunicação só pode ser compreendida observando o cotidiano das instituições.
Os resultados revelam um movimento importante: organizações que antes falavam para seus públicos agora precisam falar com eles. Soares afirma que “posicionar a organização como integrante da sociedade, atuando na solução dos problemas contemporâneos é um dos papéis do profissional de comunicação”, mostrando que comunicar não é mais um ato isolado, mas parte da responsabilidade social de cada instituição.
Outro ponto central destacado pela pesquisadora é a cultura organizacional. Para ela, mudanças reais só acontecem quando as pessoas mudam. Como escreve literalmente: “transformação cultural significa uma transformação das pessoas da organização e do seu modelo de negócio”. E essa transformação passa, sobretudo, por diálogo, escuta ativa e coerência entre discurso e prática.
O estudo também aborda um conceito muito presente no ambiente corporativo atual: o propósito. A autora reconhece sua importância como elemento de engajamento, afirmando que ele funciona como “um imã” para atração e engajamento das pessoas. Mas alerta: sem práticas coerentes, o propósito corre o risco de virar apenas um “elemento marketeiro”, esvaziado de sentido.
Ao final, Soares reflete sobre o caminho percorrido e sintetiza sua visão: “o percurso teórico-metodológico da comunicação organizacional nos mostra como as configurações vigentes na sociedade influenciam o modelo de operação das organizações”. Para ela, o futuro da comunicação organizacional depende da capacidade das empresas de reconhecerem que estratégia, gestão e cultura caminham juntas e que todas elas passam, necessariamente, pelas pessoas.
Texto: Natália Pires Pinto
Matéria produzida a partir da Dissertação de Patrícia de Nóbrega Pêcego Soares.

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